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sexta-feira, 4 de julho de 2014

COMO ESTIMULAR A APRENDIZAGEM CONTINUADA AO LONGO DA VIDA?

CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO


  • Ambiente adequado


  • Presença do agente mediador




AMBIENTE DE APRENDIZAGEM


  • O aprendiz

  • As atividades

  • O agente de aprendizagem





“Qualquer indivíduo da nossa sociedade tem a predisposição natural não só para aprender como para atuar como facilitador do processo de aprendizagem, ensinando, transmitindo culturas e valores que a sociedade tem acumulado.”
Derval, 2000



O DESAFIO É:
COMO FORMAR EFETIVOS AGENTES DE APRENDIZAGEM?





OBS. PROINFO II - Turma 3 - Professora Formadora Morgane

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Redes Sociais

http://www.slideshare.net/ProfeMrcia/redes-sociais-24777625

Erechim tem a 7ª melhor educação do RS

Data: 30/07/2013
Município é, ainda, a 136ª melhor cidade do país para se viver, conforme indicadores do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal do Brasil
Com índice de desenvolvimento humano considerado alto, Erechim está entre os 136 melhores municípios do Brasil para se viver. É o que revela ranking divulgado esta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), levando em consideração, com dados de 2010, as áreas de longevidade (vida longa e saudável), padrão de vida (renda) e educação (acesso ao conhecimento) de todas as 5.565 cidades do país.
E é justamente no quesito educação que Erechim é destaque nacional e estadual. Em âmbito local (RS), o município ocupa a 7ª colocação na lista das 496 cidades gaúchas, sendo a 1ª listada entre àquelas com mais de 50 mil habitantes.
Mais de 90% dos jovens entre 5 e 13 anos na escola
Conforme o levantamento, mais de 90% dos jovens entre 5 e 13 anos frequentam a escola em Erechim sendo que, no período de 1991 a 2010, a proporção de crianças de 5 a 6 anos na escola cresceu 50,69%. Segundo o prefeito Paulo Polis, a evolução dos indicadores de educação, renda e longevidade é fruto de um somatório de esforços de gestores públicos e da esfera privada que acreditam no potencial da cidade, e de sua população. O prefeito destaca, também, que os números mostram grandes mudanças no país em 20 anos - período em que o Brasil quase dobrou os seus índices de desenvolvimento humano, evidenciando o acerto nas políticas públicas adotadas pelo governo federal.
Expectativa de vida em Erechim é de 75 anos
O levantamento revela, ainda, que a renda per capita (por pessoa) do erechinense é, em média, de R$ 1.038,39 (contra R$ 704,43, no ano 2000). Ao mesmo tempo, a esperança de vida ao nascer no município é de 75 anos, contra 73,9 anos no Brasil.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Ação docente...

Roger Chartier: "Os livros resistirão às tecnologias digitais"

Especialista em história da leitura afirma que a Internet pode se transformar em aliada dos textos por permitir sua divulgação em grande escala

Roger Chartier. Foto: André Valentim
Roger Chartier
O francês Roger Chartier - é um dos mais reconhecidos historiadores da atualidade. Professor e pesquisador da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e professor do Collège de France, ambos em Paris, também leciona na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e viaja o mundo proferindo palestras.

Sua especialidade é a leitura, com ênfase nas práticas culturais da humanidade. Mas ele não se debruça apenas sobre o passado. Interessa-se também pelos efeitos da revolução digital. "Estamos vivendo a primeira transformação da técnica de produção e reprodução de textos e essa mudança na forma e no suporte influencia o próprio hábito de ler", diz.

Diferentemente dos que prevêem o fim da leitura e dos livros por causa dos computadores, Chartier - acha que a internet pode ser uma poderosa aliada para manter a cultura escrita. "Além de auxiliar no aprendizado, a tecnologia faz circular os textos de forma intensa, aberta e universal e, acredito, vai criar um novo tipo de obra literária ou histórica. Dispomos hoje de três formas de produção, transcrição e transmissão de texto: a mão, impressa e eletrônica - e elas coexistem."

No fim de junho, Chartier - esteve no Brasil para lançar seu livro Inscrever & Apagar, em que discute a preservação da memória e a efemeridade dos textos escritos. Nesta entrevista, ele conta como a leitura se popularizou no século 19, mas destaca que bem antes disso já existiam textos circulando pelos lugares mais remotos da Europa na forma de literatura de cordel e de bibliotecas ambulantes. Confira os principais trechos da conversa.

Como era, no passado, o contato das crianças e dos jovens com a leitura?
ROGER CHARTIER
  A literatura se restringia às peças teatrais. As representações públicas em Londres, como podemos ver nas últimas cenas do filme Shakespeare Apaixonado, e nas arenas da Espanha são exemplos disso. Já nos séculos 19 e 20, as crianças e os jovens conheciam a literatura por meio de exercícios escolares: leitura de trechos de obras, recitações, cópias e produções que imitavam o estilo de autores antigos, como as famosas cartas da escritora Madame de Sévigné (1626-1696) e as fábulas de La Fontaine (1621-1695).

Quando a leitura se tornou popular?
CHARTIER
  No século 19, surgiu um novo contingente de leitores: crianças, mulheres e trabalhadores. Para esses novos públicos, os editores lançaram livros escolares, revistas e jornais. Porém, desde o século 16, existiam livros populares na Europa: a literatura de cordel na Espanha e em Portugal, os chapbooks (pequenos livros comercializados por vendedores ambulantes) na Inglaterra e a Biblioteca Azul (acervo que circulava em regiões remotas) na França. Por outro lado, certos leitores mais alfabetizados que os demais se apropriaram dos textos lidos pelas elites.O livro O Queijo e os Vermes, do italiano Carlo Guinzburg, publicado em 1980, relata as leituras de um moleiro do século 16.

As práticas atuais de leitura têm relação com as práticas do passado?
CHARTIER
É claro. Na Renascença, por exemplo, a leitura e a escrita eram acessíveis a poucas pessoas, que utilizavam uma técnica conhecida como loci comunes, ou lugares-comuns, ou seja, exemplos a serem seguidos e imitados. O leitor assinalava nos textos trechos para copiar, fazia marcações nas margens dos livros e anotações num caderno para usar essas citações nas próprias produções. No século 16, editores publicaram compilações de lugares-comuns para facilitar a tarefa dos leitores, como fez o filósofo Erasmo de Roterdã (1466-1536).

Em que medida compreender essas e outras práticas sociais de leitura pode transformar a relação com os textos escritos?
CHARTIER
  Os estudos da história da leitura costumam esquecer dois importantes elementos: o suporte material dos textos e as variadas formas de ler. Eles são decisivos para a construção de sentido e interpretação da leitura em qualquer época. Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes (1547-1616), era lido em silêncio, como hoje, mas também em voz alta, capítulo por capítulo, para platéias de ouvintes. Todas as pesquisas nessa área formam um patrimônio comum com o qual os professores podem construir estratégias pedagógicas, considerando as práticas de leitura.

Que papel a literatura ocupa na Educação atual?
CHARTIER
  A escola se afastou da literatura, principalmente no Brasil, porque está preocupada em oferecer ao maior número possível de crianças as habilidades básicas de leitura e escrita. Mas acredito que os professores devem acolher a literatura novamente, da alfabetização aos cursos de nível superior, como mostram várias experiências pedagógicas. Na França, por exemplo, um filme recém-lançado exibe uma peça do dramaturgo Pierre de Marivaux (1688-1763) encenada por jovens moradores de bairros pobres.

Muitos dizem que desenvolver o gosto dos jovens pela leitura é um desafio.
CHARTIER  Certamente. Mas é papel da escola incentivar a relação dos alunos com um patrimônio cultural cujos textos servem de base para pensar a relação consigo mesmo, com os outros e o mundo. É preciso tirar proveito das novas possibilidades do mundo eletrônico e ao mesmo tempo entender a lógica de outro tipo de produção escrita que traz ao leitor instrumentos para pensar e viver melhor.

O senhor quer dizer que a internet pode ajudar os jovens a conhecer a riqueza do mundo literário?
CHARTIER  Sim. O essencial da leitura hoje passa pela tela do computador. Mas muita gente diz que o livro acabou, que ninguém mais lê, que o texto está ameaçado. Eu não concordo. O que há nas telas dos computadores? Texto - e também imagens e jogos. A questão é que a leitura atualmente se dá de forma, fragmentada, num mundo em que cada texto é pensado como uma unidade separada de informação. Essa forma de leitura se reflete na relação com as obras, já que o livro impresso dá ao leitor a percepção de totalidade, coerência e identidade - o que não ocorre na tela. É muito difícil manter um contato profundo com um romance de Machado de Assis no computador.

Essa fragmentação dos conteúdos na internet não afeta negativamente a formação de novos leitores?
CHARTIER
  Provavelmente sim. Na internet, não há nada que obrigue o leitor a ler uma obra inteira e a compreender em sua totalidade. Mas cabe às escolas, bibliotecas e meios de comunicação mostrar que há outras formas de leitura que não estão na tela dos computadores. O professor deve ensinar que um romance é uma obra que se lê lentamente, de forma reflexiva. E que isso é muito diferente de pular de uma informação a outra, como fazemos ao ler notícias ou um site. Por tudo isso, não tenho dúvida de que a cultura impressa continuará existindo.

As novas tecnologias não comprometem o entendimento e o sentido completo de uma obra literária?
CHARTIER
  Sim e não. A pergunta que devemos nos fazer é: o que é um texto? O que é um livro? A tecnologia reforça a possibilidade de acesso ao texto literário, mas também faz com que seja difícil apreender sua totalidade, seu sentido completo. É a mesma superfície (uma tela) que exibe todos os tipos de texto no mundo eletrônico. É função da escola e dos meios de comunicação manter o conceito do que é uma criação intelectual e valorizar os dois modos de leitura, o digital e o papel. É essencial fazer essa ponte nos dias de hoje.

O novo suporte tecnológico pode auxiliar a leitura, mas não necessariamente o desempenho escolar.
CHARTIER
  Pesquisas realizadas em vários países mostram que o uso do computador na Educação, quando acompanhado de métodos pedagógicos, melhora, sim, o aprendizado, acelera a alfabetização e permite o domínio das regras da língua, como a ortografia e a sintaxe. É preciso desenvolver políticas públicas que tenham por objetivo a correta utilização da tecnologia na sala de aula.

O senhor acha que o e-paper (dispositivo eletrônico flexível como uma folha de papel) é o futuro do livro?
CHARTIER
  Os textos eletrônicos são abertos, maleáveis, gratuitos e esses aspectos são contrários aos da publicação tradicional de um texto (que pressupõe a criação de um objeto de negócio). Para ser publicado, um texto deve ser estável. Na internet, os textos eletrônicos continuaram protegidos, ou seja, não podem ser alterados, e têm de ser comprados e descarregados no computador do usuário integralmente. Para mim, a discussão sobre o futuro dos livros passa pela oposição entre comunicação eletrônica e publicação eletrônica, entre maleabilidade e gratuidade.

Ao longo da história da humanidade, acompanhamos a passagem da leitura oral para a silenciosa, a expansão dos livros e dos jornais e a transmissão eletrônica de textos. Qual foi a mais radical?
CHARTIER
  Sem dúvida, a transmissão eletrônica. E por uma razão bastante simples: nunca houve uma transformação tão radical na técnica de produção e reprodução de textos e no suporte deles. O livro já existia antes de Guttenberg criar os tipos móveis, mas as práticas de leitura começaram lentamente a se modificar com a possibilidade de imprimir os volumes em larga escala. Hoje temos no mundo digital um novo suporte, a tela do computador, e uma nova prática de leitura, muito mais rápida e fragmentada. Ela abre um mundo de possibilidades, mas também muitos desafios para quem gosta de ler e sobretudo para os professores, que precisam desenvolver em seus alunos o prazer da leitura.

É muito fácil publicar informações falsas na Internet. Como evitar isso?
CHARTIER
  A leitura do texto eletrônico priva o leitor dos critérios de julgamento que existem no mundo impresso. Uma informação histórica publicada num livro de uma editora respeitada tem mais chance de estar correta do que uma que saiu numa revista ou num site. É claro que há erros nos livros e ótimos artigos em revistas e sites. Mas há um sistema de referências que hierarquiza as possibilidades de acerto no mundo impresso e que não existe no mundo digital. Isso permite que haja tantos plágios e informações falsas. Precisamos fornecer instrumentos críticos para controlar e corrigir informações na internet, evitando que a máquina seja um veículo de falsificação.

Disponível em:  http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/fundamentos/roger-chartier-livros-resistirao-tecnologias-digitais-610077.shtml Acesso em 16/07/2013.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Pekka Himanen: “Todas as crianças são originalmente hackers”

O intelectual finlandês, autor do já clássico “A Ética dos Hackers e o Espírito da Era da Informação”, esteve em Buenos Aires para fazer palestras sobre o espírito de trabalho na era da informação. Em uma entrevista com Ñ Digital contou como o conteúdo do seu manifesto sobreviveu nestes últimos dez anos.
Pekka Himanen. Pekka Himanen.

Por Andrés Hax

Pekka Himanen parece jovem demais para poder ter escrito “A Ética dos Hackers e o Espírito da Era da Informação”. Nesse manifesto, publicado em 2001, o intelectual finlandês (que se doutorou em Filosofia aos vinte anos) tenta definir o espírito de trabalho que caracterizava o mundo dos programadores, como Linus Torvalds, criador do sistema operativo de código aberto Linux — ou Steve Wozniak, cofundador, junto com Steve Jobs, da Apple Computer. Himanen não inventou o termo hacker, nem sua definição original: programador ou cientista de computação que trabalha com entusiasmo para solucionar problemas interessantes e difíceis junto com um grupo de colegas cujo código ético primordial é compartilhar a informação.

O que Himanen fez no seu livro foi contrapor o espírito hacker à ética protestante definida por Max Weber em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Assim, tentou definir um novo espírito de trabalho para o terceiro milênio. Conforme a ampla definição de Himanen, qualquer pessoa pode adotar o espírito hacker, seja qual for sua profissão, porque ser hacker significa, em sua essência, fazer tudo com entusiasmo e paixão, dentro de um coletivo que compartilha os mesmos valores.

O prólogo de “A Ética dos Hackers e o Espírito da Era da Informação” foi escrito por Linus Torvalds, também finlandês. O posfácio foi escrito pelo renomado sociólogo espanhol, especialista na sociedade da informação, Manuel Castells. Como um bom surfista, Himanen pegou uma onda gigantesca no momento certo. Essa onda ainda o propulsiona pela vida, levando-o a lugares insólitos, como -por exemplo- o restaurante de um hotel portenho situado no triste ponto morto entre a avenida Corrientes e a Praça do Congresso. Foi convidado pela Cadeira Globalização e Democracia da Universidad Nacional de San Martín, da Argentina, e pela Universidad Diego Portales, do Chile, junto com a Fundação OSDE, para ir ao Chile e vir à Argentina.

No hotel, em uma manhã de muita chuva, conversei com Pekka Himanen, hoje com 39 anos, enquanto ele tomava um suco de laranja e comia um sanduíche de presunto. Himanen é cortês e correto, mas no começo da entrevista se sentia que, às vezes, dá respostas programadas, como um político. Porém, mais tarde, escutando sua voz no gravador, percebe-se que o problema é que ele fala um inglês trabalhoso. Exprime-se com precisão e eloquência, mas formula as palavras pausadamente e com estranhas, mas não desagradáveis, pausas. Como se fosse o ator Christopher Walken fazendo a voz do conde Drácula.


Qual é a importância do seu livro “A Ética dos Hackers e o Espírito da Era da Informação” atualmente, onze anos depois de ser publicado? A Internet mudou muito desde essa época.

Acredito que tenha se tornado mais relevante. Agora temos, realmente, muitos exemplos da ética do hacker. Como a força do movimento código aberto, por um lado. Por exemplo, o fato de que um terço da Internet funciona com Linux e de que três de quatro smartphones funcionam com Linux, porque o Android está baseado no Linux. E todos os tipos de gravadores digitais, como o que você está usando agora… e até postos de gasolina também usam.

Então, por um lado, vê-se que o código aberto se transformou no centro da infraestrutura tecnológica da era da Internet. Por outro lado, também se vê que nos encaminhamos decididamente a uma ética de trabalho criativo no mundo dos negócios. Este livro, “A Ética dos Hackers e o Espírito da Era da Informação”, foi um best-seller em Silicon Valley. Eu diria que tudo o que aconteceu com o Google e a Apple são exemplos de como é possível criar valor econômico —por exemplo, a Apple se transformou na empresa com melhor valor de mercado do mundo— e enfatizam essa passagem que ocorreu entre a ética do mundo industrial e a ética criativa da era da informação.


Essa ética hacker que você descreve não se limita ao mundo informático ou tecnológico, tem aplicações em qualquer disciplina. Você sabe se esse livro foi lido e influenciou outros setores além do setor puramente tecnológico?

Encontro pessoas de várias profissões que me dizem “eu sou um hacker”, porque participam do mesmo espírito. Como se sabe, o centro da idea é ter um entusiasmo criativo por aquilo que se faz e trabalhar em conjunto com outros. E isso pode ser assim em qualquer campo. O meu trabalho mais recente é sobre a cultura da criatividade em outros campos.


Este livro, “A Ética dos Hackers e o Espírito da Era da Informação”, é um peso para você? É como aquela música que o cantor sempre tem que cantar mesmo que já esteja cansado dela?

Não, para mim isto é como a formulação-chave do espírito da era da informação. É uma nova ética de trabalho que substitui a ética de trabalho de Max Weber. Mas, ao mesmo tempo, é o começo de um projeto maior para entender essa cultura da criatividade. Eu trabalhei muito analisando os principais centros de criatividade do mundo: tecnológicos, científicos e artísticos. E sempre estão presentes os mesmos elementos: a criatividade e o entusiasmo combinados com interações enriquecedoras.

Com a crise global que começou em 2008, o modelo antigo de desenvolvimento chegou a um ponto sem saída. É o que eu chamo de a grande recessão. Precisamos renovar a economia, a dimensão do bem-estar e a dimensão ecológica. Tenho pesquisado sobre como usar esta cultura da criatividade para reformar a nossa economia em direção a uma forma mais sustentável… e depois reformar a cultura do bem-estar de uma maneira mais sustentável: o que eu chamo de estado de bem-estar 2.0. Esses são os assuntos nos quais estou trabalhando atualmente.


Muitos hackers, de qualquer profissão, são autodidatas e contraculturais. É possível ensinar a cultura da ética hacker e incorporá-la às instituições tradicionais da sociedade?

Bom, eu também dirigi escolas filosóficas para crianças. Para crianças de quatro anos, oito anos e doze anos. Todas são, na origem, hackers. Então, não se trata de criar algo que já existe. É só deixar de tirar esse hackerismo original. Porque todas as perguntas que nós somos capazes de fazer sobre o mundo com curiosidade e principalmente entusiasmo — já existem nas crianças.

No processo de aprendizagem usado pelos hackers você começa por encontrar algo que tem sentido; depois, começa a fazer perguntas, a formular ideias; e depois você começa a usar todos os recursos que estão à sua disposição, mas usando-os criticamente porque você quer criar uma grande solução; e você faz tudo isso junto com outras pessoas; e tudo isso está motivado por um relato com sentido. É assim que as crianças fazem.

Para mim, o sistema educativo é um ponto central. A pergunta fundamental é: como educamos as crianças? Porque é aí onde realmente reproduzimos os nossos valores culturais. Essa é uma área na qual eu tenho trabalhado muito. Temos que criar a escola 2.0 ou a universidade 2.0. Temos que ajudar as pessoas a descobrirem suas paixões criativas na vida e a desenvolvê-las.

Além disso, acredito que a educação é o único lugar onde a igualdade de oportunidades pode acontecer de verdade, independentemente do contexto social ou econômico. Em uma sociedade justa todos têm a mesma oportunidade para realizar o seu potencial único na vida. Mas é complicado. Na Finlândia, conseguimos criar uma combinação que é muito rara: temos escolas públicas, gratuitas e de excelente qualidade. Há muito investimento do Estado na educação de professores.


Na Finlândia os professores conseguem viver bem com o que ganham?
Sim. Eles vivem bem com o próprio salário. Um ponto importante é que muitos dos melhores alunos querem ser professores. Isso não acontece em muitos países. Segundo pesquisas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), os nossos alunos  ocupam os primeiros lugares em todas as categorias, da alfabetização à matemática, das ciências naturais à habilidade para solucionar problemas.

Por isso, para mim, o sistema educativo é o espelho da sociedade. É o espelho dos nossos verdadeiros valores.

No início, a Web era administrada e composta por uma população de pessoas com interesses comuns: científicos e nerds (no bom sentido da palavra). Agora ela é um espaço de massas. Minha pergunta é: a Web, como comunidade, perdeu sua energia e seu encanto nos últimos quinze a vinte anos?

Primeiramente, é bom lembrar que estamos falando de aproximadamente quinze anos. Na realidade, a revolução da Web, se fosse um ser humano, ainda seria menor de idade: tem menos de dezoito anos. A Web não pode, legalmente, comprar bebidas alcoólicas! Foi um acontecimento que se desenvolveu com uma velocidade assombrosa. Nada na história se disseminou pelo mundo com tanta velocidade. Por essa razão, ocorreram muitas mudanças. No princípio, as pessoas estavam mais envolvidas com os computadores, porque era muito técnico. Entretanto, eu diria que o coração da Internet não mudou. Tecnologicamente, ela ainda é baseada em código aberto, então é um esforço coletivo e criativo. E a maior parte da Net ainda é grátis.

Quais são, na sua opinião, as diferenças mais notórias entre o passado e o presente?
No começo da Internet, as pessoas não compartilhavam a vida com todo mundo. Como se sabe, Max Weber também falava sobre o fato de a ilustração ter tirado o mistério da vida. Eu considero que precisamos trazer de volta o mistério, porque fica realmente pouco interessante quando uma pessoa revela tudo. Essa é uma tarefa atual da Internet: recuperar o mistério.

Existe uma tese que diz que o uso da Internet está nos tornando superficiais, que está tirando a nossa capacidade de concentração. Essa ideia o preocupa? A nossa maneira de usar a Internet nos prejudica?
Há dez anos, por exemplo, nenhum acadêmico sério pensaria em citar uma enciclopédia. Mas atualmente isso acontece. Por outro lado, eu diria que a Internet é um espelho de nós mesmos. Não existe nada na Internet que não tenha estado primeiramente em nós mesmos. Por exemplo, se há um problema de falta de informação na Internet, é preciso lembrar que, na vida, falta informação na maioria das cosas que escutamos das outras pessoas. Existe um problema de informação também na vida. Para julgar a Internet é preciso ter a mesma competência crítica que temos para julgar a vida. Porém, nem todo mundo está acostumado a exercer essa atitude crítica.

Gostaria de saber quais são os livros mais importantes que você leu? Qual livro recomendaria a um jovem que, por exemplo, está começando a ler a sério e a pensar a sério sobre a vida?
Tantos livros foram importantes para mim! Mas para responder à sua pergunta, recomendaria apenas um. Talvez seja um pouco surpreendente, mas eu recomendaria que todo mundo lesse Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl. Para mim, a ética do hacker se baseia fundamentalmente na nossa busca de sentido e de uma vida com sentido.

Última pergunta. Você parece ser um otimista. Você tem esperança na humanidade?
Sempre me interessou mais contar as coisas sobre as quais estou a favor do que as que eu estou contra. Porque ser contra não ajuda a solucionar problemas. Talvez isso também seja parte da ética hacker. O hacker só tem, de alguma maneira, dois princípios: consertar o que não funciona e, deixar o que funciona em paz. Mesmo porque, na história, tudo foi impossível até que foi possível. Nós, seres humanos, temos capacidade criativa, sem dúvida. É preciso fazê-la funcionar.

http://www.clarin.com/br/revista-enie/Pekka-Himanen-Todas-criancas-originalmente_0_895110755.html Acesso em 10/04/2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Dia da Internet Segura: como proteger as crianças?

Em 05 de fevereiro comemora-se o “Dia da Internet Segura”. Uma data importante para nós, pais e educadores, refletirmos e adotarmos. Nossos filhos estão bem orientados quando o assunto é Internet?

Há dois tipos de temores quando se fala em “segurança na Internet”. Quem não tem filhos, em geral, pensa em se proteger de invasões de privacidade por hackers, roubo de senhas, spams, vírus. Já para nós, mães, o que nos tira o sono é imaginar que um pedófilo ou algum ser mal intencionado tente enganar nosso filho numa sala de bate-papo, uma máfia de tráfico de criança descubra nosso endereço e nos roube a cria, acesso à pornografia e afins. Vocês acham que estou exagerando? Então vou contar uma história que aconteceu comigo.

Quando a Ana Bia tinha 2 aninhos, mudamos para Porto Alegre. Na época eu alimentava um blog dela onde contava suas peripécias com muitas fotos e vídeos caseiros. Juro, eu era fanática por registrar momentos e andava com a câmera, feito um chaveiro, pendurada no pescoço. Um sorriso, clic. Uma careta? Clic. Olha que gracinha, fazendo bolinhas de sabão! Filme. E assim por diante. Subi no Youtube mais de 300 videozinhos, principalmente para o pai dela, que ficara no Rio de Janeiro quando nos separamos, poder acompanhar o seu desenvolvimento. Minha intenção era a melhor possível. Mas eis que...

Um belo dia, num ato de corujice aguda, eu resolvi rever as postagens antigas. E ao tentar abrir um dos vídeos, recebi a mensagem que ele havia sido denunciado e removido “por conter conteúdo pornográfico”. Como assim? Entrei na pasta original no meu computador onde estava o arquivo e assisti por ali. Era uma cena fofa, a Bia de fraldinha, num verão escaldante, brincando num bebedor da famosa pracinha da Encol, ponto de encontro dos gaúchos aos finais de semana. Ela pegava um copinho plástico, enchia de água e ia molhando o bracinho, o ombro, a barriguinha, se matava de rir. O que há de impróprio nisso?

Foi então que eu li. Um só, unzinho comentário na página do vídeo no Youtube me petrificou: “Nice panties”. Em bom português “bela calcinha”. Era uma fralda! Outro dado alarmante: havia 80 mil visualizações! Em geral recebíamos entre 60 a 80 cliques no blog, esse tinha mil vezes mais. Quem diabos estava compartilhando o vídeo inocente da minha filha? Com certeza alguma rede de tarados.     

 
Entrei em pânico e saí verificando todo e qualquer vídeo que eu já postara. Na mosca: as cenas cotidianas comuns, em que ela aparecia vestida, não tinham Ibope. Já as em que estava de biquíni, sem blusa ou algo do gênero, tinha milhares de visualizações. Meu Deus! Passei horas, horas mesmo, virei noite deletando todos os 300 e tantos filmes. Bloqueei o blog dela para o público, coloquei no modo “restrito” e apenas convidados passaram a ter acesso, ou seja, familiares e amigos próximos. É óbvio que a audiência despencou. E é claro que eu me senti muito mais segura. Afinal, quem nós queremos que entre na nossa intimidade e saiba da nossa vida?

É preciso deixar a vaidade de lado e a vontade de exibir nossos lindos filhotes aos quatro ventos e pensar que nem todo mundo os enxerga com nossos olhos de mãe coruja. Há gaviões aí fora (e dentro da web) loucos para darem o bote. Por isso, nunca é demais seguir essas dicas:

- Nunca, jamais, publique fotos do seu bebê ou da sua criança seminua, de calcinha, sem camisa, peladinha na banheira ou em trajes de banho na praia ou na piscina. Nem nas redes sociais para os amigos, pois ela pode acabar parando na tela do amigo do amigo do amigo que pode não ser tão amigo assim.


- Seu filho está em idade escolar e acessa a Internet para pesquisas e para falar com os colegas? Coloque o computador em um lugar de grande fluxo de pessoas na casa como a sala, por exemplo, onde sempre há alguém passando. Isso não só inibe a criança ou adolescente de acessar conteúdo impróprio como você pode entrar no circuito caso detecte algo estranho. Pense na Internet como uma biblioteca onde todos da família têm a carteirinha de acesso e não há nada a esconder uns dos outros. Dê o exemplo, tampouco esconda nada do seu filho.

- Oriente seu filho para que nunca dê a terceiros informações como sobrenome, número do celular, endereço ou bairro onde mora, escola onde estuda, nome dos pais ou onde trabalham, nem faça cadastros em sites desconhecidos sem antes consultar você ou outro adulto de confiança. E que evite publicar fotos em uniforme escolar ou de clubes, e qualquer outra imagem com fácil identificação. Hoje em dia, com pouquíssimos dados é possível descobrir onde uma pessoa se localiza.

- Sente com ele um dia e explique o que são vírus, spams, pop ups involuntários. Converse sobre os transtornos que eles podem trazer a vocês e ao computador (gerar lentidão, roubo de dados, apagar arquivos, destruir informações importantes). 

- Use filtros de navegação. Instale-os no seu computador e limite o acesso do seu filho. Há programas que bloqueiam sites e conteúdos impróprios, inclusive vídeos, por palavras-chaves como sexo, drogas ou quaisquer outras que você definir. Com discernimento, você pode ainda monitorar conversas em salas bate-papo, publicações nas redes sociais, troca de e-mails e verificar os horários em que a internet foi usada.  

Agora, a melhor dica é esta: exercite a confiança mútua entre você e o seu filho. Naveguem na prática da conversa franca. Seja a pessoa mais real (e presente) dentre as centenas de amigos virtuais que ele tem e terá ao longo da vida. Um bom diálogo ainda é a solução mais segura para garantir a tranquilidade no uso da Internet.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A importância das mídias sociais - Primeiro passo é entender para que elas servem; depois, aprender a usá-las

Os últimos dez anos foram marcados pelo desenvolvimento da internet, olhando pelo lado da comunicação e principalmente pelo surgimento das chamadas mídias sociais. Embora seja um grupo bem definido, elas têm formas e propostas bem diferentes.

Youtube e o Vimeo servem para reprodução online de vídeos. O Twitter é uma mídia para informações curtas ou para atrair para uma notícia maior. O Facebook, o mais utilizado atualmente, é uma grande plataforma para oferecer uma maior interação com sua rede social, através das postagens de fotos, vídeos ou trocar comentários com seus amigos sobre qualquer coisa.

Essas mídias estão entre os sites mais acessados atualmente. Elas são visitadas diariamente por cerca de 2/3 de toda a população global. No Brasil, quase 80% dos usuários de internet fazem uso de no mínimo uma rede social.

Troca de Experiências

As diversas possibilidades de interação fizeram com que os usuários pudessem se comunicar com seus amigos a qualquer momento. Qualquer experiência que antes ficaria restrita aos amigos mais próximos agora pode ser espalhada para amigos mais distantes.

A troca de experiências foi potencializada de uma maneira nunca antes vista. Aquele filme do seu irmãozinho fazendo alguma coisa engraçada, que só sua família tinha acesso, agora está pode ser exposto para o mundo. É dessa forma que aparecem os grandes recordes de visualizações no Youtube. Imagine que isso possa acontecer com quase qualquer tipo de conteúdo, como fotos, músicas, livros e etc.

Exposição dos interesses dos usuários

Os usuários têm então uma disposição para exibir suas experiências, como opiniões sobre shows, sua opinião sobre a série que está assistindo na TV, a última compra que fez, em qual restaurante gosta de ir no fim de semana...

Esse tipo de comportamento torna as mídias sociais um ambiente extremamente proveitoso para entender o que as pessoas pensam sobre as coisas, incluindo produtos e empresas.

Recomendação de amigos = Novo centro de consumo

Uma das grandes possibilidades destas mídias é o consumo com o fator social. Imagine que você goste de bicicletas, e procura no Google por novos modelos. Irão aparecer diversos anúncios tentando te convencer de eles vendem a melhor bicicleta. Você pode confiar ou não.

Em outra situação, você está no seu mural do Facebook, e aparece um anúncio sobre um novo modelo de bicicleta que foi lançado há pouco tempo, e está com um bom preço.

Agora imagine como a sua decisão de compra seria influenciada se ao lado do anúncio no Facebook, aparecesse o rosto do seu amigo que é um ótimo ciclista, dizendo que “Antônio curtiu esse produto”.  A tendência é você ter uma maior confiança neste tipo de anúncio com fatores sociais agregados.

Maior retorno é intangível

Embora seja naturalmente um bom lugar para as empresas participarem, é preciso ter em mente que não necessariamente o retorno virá diretamente pelos anúncios ou pela presença online. A maior, na verdade, é intangível.

Dessa formas, algumas perguntas podem ser feitas para exemplificar esse ponto:

Quanto vale melhorar o posicionamento da sua empresa na percepção do cliente?

Quanto vale cada like na sua página do Facebook?

Quanto vale interagir diretamente com seus clientes?

Importância para as empresas

A presença online é indispensável para qualquer empresa. Depois de refletir sobre as perguntas acima, podemos pensar em quais seriam os benefícios que um profissional para fazer a gestão das mídias sociais pode trazer.

Infelizmente, como é uma atividade muito recente, ainda não está muito difundido entre os gestores de uma empresa quais os retornos que um profissional de mídias sociais pode trazer, assim como quais são as suas responsabilidade.




Fonte: http://olhardigital.uol.com.br/colunistas/joao_gabriel_da_fonseca/post/a_importancia_das_midias_sociais Acesso em 16/01/2013.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Nove dicas para usar bem a tecnologia


O INÍCIO  Se você quer utilizar a tecnologia em sala, comece investigando o potencial das ferramentas digitais. Uma boa estratégia é apoiar-se nas experiências bem-sucedidas de colegas.

O CURRÍCULO  No planejamento anual, avalie quais conteúdos são mais bem abordados com a tecnologia e quais novas aprendizagens, necessárias ao mundo de hoje, podem ser inseridas.

O FUNDAMENTAL  Familiarize-se com o básico do computador e da internet. Conhecer processadores de texto, correio eletrônico e mecanismo de busca faz parte do cardápio mínimo.

O ESPECÍFICO  Antes de iniciar a atividade em sala, certifique-se de que você compreende as funções elementares dos aparelhos e aplicativos que pretende usar na aula.

A AMPLIAÇÃO  Para avançar no uso pedagógico das TICs, cursos como os oferecidos pelo Proinfo (programa de inclusão digital do MEC) são boas opções.

O AUTODIDATISMO  A internet também ajuda na aquisição de conhecimentos técnicos. Procure os tutoriais, textos que explicam passo a passo o funcionamento de programas e recursos.

A RESPONSABILIDADE  Ajude a turma a refletir sobre o conteúdo de blogs e fotologs. Debata qual o nível de exposição adequado, lembrando que cada um é responsável por aquilo que publica.

A SEGURANÇA  Discutir precauções no uso da internet é essencial, sobretudo na comunicação online. Leve para a classe textos que orientem a turma para uma navegação segura.

A PARCERIA  Em caso de dúvidas sobre a tecnologia, vale recorrer aos próprios alunos. A parceria não é sinal de fraqueza: dominando o saber em sua área, você seguirá respeitado pela turma.

Fontes: Adriano Canabarro Teixeira, especialista de Educação e tecnologia da UFRGS, Maria de Los Dolores Jimenez Peña, professora de Novas Tecnologias Aplicadas à Educação Da Universidade Mackenzie, e Roberta Bento, diretora da Planeta Educação.
Reportagem sugerida por oito leitores: Alana Cristina Lorde, Várzea da Palma, MG, Graziela Stein, Marabá, PA, Jaqueline Alves Silva Soares, Caetanópolis, MG, Karla Capucho, Vitória, ES, Kelly Silva Monteiro, São Gonçalo, RJ, Luciano Alves da Silva, São Lourenço da Mata, PE, Nadia Pereira Marques, Cristalina, GO, e Thais Silvestre Rosa, Rio de Janeiro, RJ

sábado, 29 de outubro de 2011

Fibra ótica é insuficiente, diz ministro Por Rafael Ferrer, de INFO Online • Sexta-feira, 28 de outubro de 2011 - 09h35



São Paulo – O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que o investimento em fibra ótica no Brasil é “insuficiente” para as necessidades do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL).
Bernardo disse durante uma palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro que o Brasil é um país ocupado desigualmente em termos de internet e só com investimento será possível “integrar todas as regiões”.
“A comunicação via satélite é fundamental para o PNBL dado seu potencial de atender a várias áreas geográficas, principalmente as mais isoladas”, diz.
Segundo dados divulgados pelo ministro, o percentual do Brasil de domicílios ligados à internet é de 27%. Já no Norte o percentual é de 13,2% e no Nordeste é de 14,4%.
O ministro aproveitou a oportunidade para dizer que o governo criou a MP 534, agora Lei, que alterou a chamada Lei do Bem para incluir incentivos à produção de tablets no Brasil conforme Processo Produtivo Básico.
Além disso, Bernardo ressaltou a criação do Regime Especial de Tributação para Investimentos no PNBL que irá reduzir os impostos que incidem sobre a construção, modernização e a expansão de redes de alta capacidade.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ENTREVISTA COM LÉA FAGUNDES SOBRE A INCLUSÃO DIGITAL



Pioneira no uso da informática educacional no Brasil, Léa Fagundes cobra políticas públicas para o setor e defende a ajuda mútua entre professores e alunos


A sala de informática do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) abriga, entre vários computadores de última geração, alguns equipamentos sucateados. Embora não sejam tão antigos, esses micros parecem pré-históricos perto dos demais. A comparação entre as máquinas ajuda a perceber a rapidez vertiginosa com que a tecnologia se renova.
Nesse ambiente hi-tech, instalado no Instituto de Psicologia da UFRGS, a professora Léa da Cruz Fagundes recebeu a reportagem de ESCOLA para esta entrevista sobre inclusão digital. Precursora do uso da informática em sala de aula no Brasil, a presidenta da Fundação Pensamento Digital, de Porto Alegre, tem alcançado resultados animadores com as experiências que desenvolve em comunidades carentes do estado. Elas mostram que crianças pobres, alunas de escolas públicas em que não se depositam muitas expectativas, têm o mesmo desempenho que as mais favorecidas quando integradas no ciberespaço.
Segundo a especialista, o caminho mais curto e eficaz para introduzir nossas escolas no mundo conectado passa pela curiosidade, pelo intercâmbio de idéias e pela cooperação mútua entre todos os agentes envolvidos no processo. Sem receitas preestabelecidas e os ranços da velha estrutura hierárquica que rege as relações entre professores e estudantes.
Léa defende a disseminação de softwares livres, sem custo e de fácil acesso pela internet. Consultora de programas federais que visam ampliar a inclusão digital nas escolas brasileiras, a professora pede mais seriedade à classe política: "Os projetos são iniciados e interrompidos periodicamente, pois as sucessivas administrações não se preocupam em dar suporte e continuidade a eles".

O que a senhora diria a um professor que nunca usou um computador e precisa incorporar essa ferramenta em sua rotina de trabalho?

Que não tenha medo de errar nem vergonha de dizer "não sei" quando estiver em frente a um micro. O computador não é um simples recurso pedagógico, mas um equipamento que pode se travestir em muitos outros e ajudar a construir mundos simbólicos. O professor só vai descobrir isso quando se deixar conduzir pela curiosidade, pelo prazer de inventar e de explorar as novidades, como fazem as crianças.

Como deve ser uma capacitação que ajude o professor a se adaptar a essas novas exigências?

É fundamental que a capacitação ofereça ao professor experiências de aprendizagem com as mesmas características das que ele terá de proporcionar aos alunos, futuros cidadãos da sociedade conectada. Isso pede que os responsáveis pela formação se apropriem de recursos tecnológicos e reformulem espaços, tempos e organizações curriculares. Nunca devem ser organizados cursos de introdução à microinformática, com apostilas e tutoriais. Esse modelo reforça concepções que precisam ser mudadas, como a de um curso com dados formalizados para consultar e memorizar. Em uma experiência desse tipo, o professor se vê como o profissional que transmite aos estudantes o que sabe. Se ele não entende de computação, como vai ensinar? Aprender é libertar-se das rotinas e cultivar o poder de pensar!

Que competências os educadores devem adquirir para utilizar com sucesso os recursos da informática?

Os professores em formação necessitam desenvolver competências de formular questões, equacionar problemas, lidar com a incerteza, testar hipóteses, planejar, desenvolver e documentar seus projetos de pesquisa. A prática e a reflexão sobre a própria prática são fundamentais para que os educadores possam dispor de amplas e variadas perspectivas pedagógicas em relação aos diferentes usos da informática na escola.

Onde o professor pode buscar informações sobre inclusão digital?

Ele pode visitar sites e participar de grupos de discussão. Consultar revistas especializadas e cadernos especiais dos jornais também ajuda muito. Outro caminho é buscar conhecimentos mais específicos com estudantes de escolas técnicas ou de cursos de graduação em informática e ouvir os próprios alunos.

É comum encontrar estudantes que têm mais familiaridade com a informática do que o professor. Como tirar proveito disso?

Transformando o jovem em um parceiro do adulto. Quando isso acontece, a relação educativa deixa de ser hierárquica e autoritária e passa a ser de reciprocidade e ajuda mútua. O educador não deve temer que o estudante o desrespeite. Ao contrário, o adolescente vai se sentir prestigiado por partilhar sua experiência e reconhecer a honestidade do professor que solicita sua ajuda. Esse fato é determinante para a criação de um mundo conectado.

A senhora coordena programas ligados à inclusão digital em escolas públicas. Que lições tirou dessa experiência?

Na década de 1980, descobri que o computador é um recurso "para pensar com", e que os alunos aprendem mais quando ensinam à máquina. Em escolas municipais de Novo Hamburgo, crianças programaram processadores de texto quando ainda não existiam os aplicativos do Windows, produziram textos de diferentes tipos, criaram protótipos em robótica e desenvolveram projetos gráficos. Hoje, encontro esses meninos em cursos de ciência da computação, mecatrônica, engenharia e outras áreas. Na Escola Parque, que atendia meninos de rua em Brasília, a informática refletiu na formação da garotada, melhorando sua auto-estima e evidenciando o desempenho de pessoas socialmente integradas. Alguns desses garotos foram contratados como professores e outros como técnicos.

Os alunos da rede pública têm o mesmo desempenho no uso da informática que os de escolas particulares e bem equipadas?

Sim. A tese de doutorado que defendi em 1986 me permitiu comprovar o funcionamento dos mecanismos cognitivos durante a construção de conhecimentos. Nos anos 1990 iniciei as experiências de conexão e confirmei uma das minhas hipóteses: as crianças pobres consideradas de pouca inteligência pelas escolas, quando se conectam e se comunicam no ciberespaço, apresentam as mesmas possibilidades de desenvolvimento que os alunos bem atendidos e saudáveis.

A educação brasileira pode vencer a exclusão digital?

Há excelentes condições para que isso aconteça. No Brasil já temos mais de 20 anos de estudos e experiências sobre a introdução de novas tecnologias digitais na escola pública. Esses dados estão disponíveis. O Ministério da Educação vem criando projetos nacionais com apoio da maioria dos estados, como o Programa Nacional de Informática Educativa (Proninfe) e o Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo). Muitas organizações sociais e comunitárias também colaboram nesse processo.

O que mais emperra o uso sistemático da informática nas escolas públicas?

A falta de continuidade dos programas existentes nas sucessivas administrações. Não se pode esperar que educadores e gestores tomem a iniciativa se o estado e a administração da educação não garantem a infra-estrutura nem sustentam técnica, financeira e politicamente o processo de inovação tecnológica.

Como o computador pode contribuir para a melhoria da educação?

Inclusão digital não é só o amplo acesso à tecnologia, mas a apropriação dela na resolução de problemas. Veja a questão dos baixos índices de alfabetização e de letramento, por exemplo. Uma solução para melhorá-los seria levar os alunos a sentir o poder de se comunicar rapidamente em grandes distâncias, ter ideias, expressá-las como autores e publicar seus escritos no mundo virtual.

Nossas escolas estão preparadas para utilizar plenamente os recursos computacionais?

A escola formal tem privilegiado essa concepção: é preciso preparar a pessoa para que ela aprenda. Mas o ser humano está sempre se desenvolvendo. Assim, as instituições também estão constantemente em processo. Por isso, a escola não precisa se preparar. Ela começa a praticar a inclusão digital quando incorpora em sua prática a idéia de que se educa aprendendo, quando usa os recursos tecnológicos experimentando, praticando a comunicação cooperativa, conectando-se. Mas algumas coisas ainda são necessárias. Conseguir alguns computadores é só o começo. Depois é preciso conectá-los à internet e desencadear um movimento interno de buscas e outro, externo, de trocas. Cabe ao professor, no entanto, acreditar que se aprende fazendo e sair da passividade da espera por cursos e por iniciativas da hierarquia administrativa.

Existe um padrão ideal de escola que usa a tecnologia em favor da aprendizagem?

Não é conveniente buscar padrões. Como sugeria Einstein, quando se trata de construir conhecimento é mais produtivo infringir as regras. O primeiro passo é reestruturar o espaço e o tempo escolares. Devemos dar condições para que os estudantes de idades e vivências diferentes se agrupem livremente, em lugares próximos ou distantes, mas com interesses e desejos semelhantes. Eles vão escolher o que desejam estudar. Essa liberdade definirá suas responsabilidades pelas próprias escolhas. Os professores orientarão o planejamento de forma interdisciplinar. Isso tudo é possível com o registro em ambiente magnético, que é de fácil consulta. Toda a produção pode ser publicada na internet, intercambiada e avaliada simultaneamente por professores de diferentes áreas.

Qual é sua avaliação sobre a proliferação de centros de educação a distância?

Nestes tempos de transição vamos conviver com projetos honestos e desonestos, alguns bem orientados e outros totalmente equivocados. O pior dos males é a voracidade do mercado explorador da educação a distância. Espero que a própria mídia tecnológica dissemine informações para o público interessado ter condições de analisar esses centros. É importante discriminar os cursos consistentes dos que "vendem ensino", ou seja, que reproduzem o ensino da transmissão, fora de contexto, em que o aluno memoriza sem compreender.


Léa da Cruz Fagundes
Gaúcha, com 58 anos de magistério, a coordenadora do Laboratório de Estudos Cognitivos do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul dedica-se há mais de 20 anos à informática educacional. Psicóloga com mestrado e doutorado com ênfase em informática e conferencista internacional requisitada, Léa Fagundes preside atualmente a Fundação Pensamento Digital, organização não governamental que dissemina a computação entre populações carentes.


Quer saber mais?

Laboratório de Estudos Cognitivos, R. Ramiro Barcelos, 2600, prédio do Ciclo Básico, sala 5, 90035-003, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3316-5250 e-mail: lec@psico.ufrgs.br

Acessado em 04/10/2011